terça-feira, 27 de julho de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
(parênteses)
Sentiu falta do Tango.
Sentiu falta do Vinho.
Sentiu falta do Sangue.
Sentiu falta da Carne.
Sentiu falta da Esqualidez.
Sentiu falta do Pedestal.
Falta por falta, sempre há. Sempre há a falta.
A página foi virada a força.
porque passo a passo.
a falta tem sido aceita.
Saudade... Saudade, sim.
Gloriosa entidade.
Estou aqui para vosso serviço.
Mesmo que doa. A senhora sim, é de Dignidade.
Te sirvo como uma humilde pagã.
E como lhe sinto.
E no 'aqui-agora':
Sinto Saudade da Escrita.
Sinto Saudade da Pele.
Sinto Saudade da Escrita na Pele.
(...)
Deixe estar... (inspira e transpira)
um dia Ela volta.
Sentiu falta do Vinho.
Sentiu falta do Sangue.
Sentiu falta da Carne.
Sentiu falta da Esqualidez.
Sentiu falta do Pedestal.
Falta por falta, sempre há. Sempre há a falta.
A página foi virada a força.
porque passo a passo.
a falta tem sido aceita.
Saudade... Saudade, sim.
Gloriosa entidade.
Estou aqui para vosso serviço.
Mesmo que doa. A senhora sim, é de Dignidade.
Te sirvo como uma humilde pagã.
E como lhe sinto.
E no 'aqui-agora':
Sinto Saudade da Escrita.
Sinto Saudade da Pele.
Sinto Saudade da Escrita na Pele.
(...)
Deixe estar... (inspira e transpira)
um dia Ela volta.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
o paraíso
ferida aberta. carne exposta. sangue que não cessa.
ferida aberta. carne exposta. sangue que não cessa.
ferida aberta. carne exposta. sangue que não cessa.
ferida aberta. carne exposta. sangue que não cessa.
ferida aberta. carne exposta. sangue que não cessa.
hemorragia. deixar morrer por si só.
hemorragia. deixa morrer por si só.
hemorragia. deixou morrer por si só.
jogou a carne pras bestas devorarem.
joga os ossos numa vala.
deixar a alma andar por ai... penada.
não faz ritual de morte.
não merece. não é gente.
não é bicho. é Nada.
ferida aberta. carne exposta. sangue que não cessa.
ferida aberta. carne exposta. sangue que não cessa.
ferida aberta. carne exposta. sangue que não cessa.
ferida aberta. carne exposta. sangue que não cessa.
hemorragia. deixar morrer por si só.
hemorragia. deixa morrer por si só.
hemorragia. deixou morrer por si só.
jogou a carne pras bestas devorarem.
joga os ossos numa vala.
deixar a alma andar por ai... penada.
não faz ritual de morte.
não merece. não é gente.
não é bicho. é Nada.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Todos Os Dias e mais Um Dia.
Acordou numa manhã muito fria. Tão gelada que não sentia seus dedos. O peso do seu corpo era tamanho que demorou horas para erigir-se. Era como se tivesse 90 anos ou mais... Abriu os olhos e pensou no que havia passado todos aqueles anos. Supreendeu-se em deparar-se com o vazio, mas isso já era de se esperar: o vazio. O barulho dos automóveis e de tudo que ocupa/habita os espaços urbanos estavam cada vez mais distantes. Cada segundo podia aproximar-se da orquestração que o silêncio constitui. Em frangalhos, arrastava-se pelo chão, e fitava o que passou. Deu-se conta que todo o período que visualizava, os 90 anos lógicos - lacanianos, não passavam de meros objetos descartáveis. Talvez tenha passado toda uma vida vivenciando as delícias mundanas e materiais. E só. Finalmente talvez, mas apenas hipoteticamente, seu espírito estivesse se descolando de seu corpo. Não entendia direito o que sucedia. Sua ignorância e alienação eram tamanhas que não sabia o que passava. Arrastava-se pelo chão como um réptil. Pensava "do dia pra noite, eu envelheci". Lembrou-se de sua juventude e tudo que perdera, tudo que deu e tudo que não abdicou para chegar até ali, das não-evoluções sucessivas, das esbórnias e do sangue alheio derramado por toda a estrada. "Será que já estou morta?" Por mais que tivesse desejado sua Passagem durante todos aqueles anos, temia o que vinha depois. O juízo final deixava-a trêmula. Muito do peso se devia ao buraco da frustração causada pela distância entre o que não foi e a imagem criada por seu Supereu daquilo que acha que deveria ser. Mas ela não via. Só sentia. Após ininterruptas 24 horas da imersão em vir-a- ser o passado/presente/futuro, deu-se conta que o fardo que estava arrastando não era seu corpo... e sim sua alma.
sábado, 12 de junho de 2010
eros
“é extraordinário poder demonstrar que a atividade sexual, habitualmente rebaixada ao nível da carne comestível, tem o mesmo princípio da poeisa”.
george bataille
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Saga
Andei depressa para não rever meus passos
Por uma noite tão fulgás que eu nem senti
Tão lancinante, que ao olhar pra trás agora
Só me restam devaneios do que um dia eu vivi
Se eu soubesse que o amor é coisa aguda
Que tão brutal percorre início, meio e fim
Destrincha a alma, corta fundo na espinha
Inebria a garganta, fere a quem quiser ferir
Enquanto andava, maldizendo a poesia
Eu contei a história minha pr´uma noite que rompeu
Virou do avesso, e ao chegar a luz do dia
Tropecei em mais um verso sobre o que o tempo esqueceu
E nessa Saga venho com pedras e brasa
Venho com força, mas sem nunca me esquecer
Que era fácil se perder por entre sonhos
E deixar o coração sangrando até enlouquecer
E era de gozo, uma mentira, uma bobagem
Senti meu peito, atingido, se inflamar
E fui gostando do sabor daquela coisa
Viciando em cada verso que o amor veio trovar
Mas, de repente, uma farpa meio intrusa
Veio cegar minha emoção de suspirar
Se eu soubesse que o amor é coisa assim
Não pegava, não bebia, não deixava embebedar
E agora andando, encharcado de estrelas
Eu cantei a noite inteira pro meu peito sossegar
Me fiz tão forte quanto o escuro do infinito
E tão frágil quanto o brilho da manhã que eu vi chegar
E nessa Saga venho com pedras e brasa
Venho sorrindo, mas sem nunca me esquecer
Que era fácil se perder por entre sonhos
E deixar o coração sangrando até enlouquecer
Saga
*Filipe Catto
Por uma noite tão fulgás que eu nem senti
Tão lancinante, que ao olhar pra trás agora
Só me restam devaneios do que um dia eu vivi
Se eu soubesse que o amor é coisa aguda
Que tão brutal percorre início, meio e fim
Destrincha a alma, corta fundo na espinha
Inebria a garganta, fere a quem quiser ferir
Enquanto andava, maldizendo a poesia
Eu contei a história minha pr´uma noite que rompeu
Virou do avesso, e ao chegar a luz do dia
Tropecei em mais um verso sobre o que o tempo esqueceu
E nessa Saga venho com pedras e brasa
Venho com força, mas sem nunca me esquecer
Que era fácil se perder por entre sonhos
E deixar o coração sangrando até enlouquecer
E era de gozo, uma mentira, uma bobagem
Senti meu peito, atingido, se inflamar
E fui gostando do sabor daquela coisa
Viciando em cada verso que o amor veio trovar
Mas, de repente, uma farpa meio intrusa
Veio cegar minha emoção de suspirar
Se eu soubesse que o amor é coisa assim
Não pegava, não bebia, não deixava embebedar
E agora andando, encharcado de estrelas
Eu cantei a noite inteira pro meu peito sossegar
Me fiz tão forte quanto o escuro do infinito
E tão frágil quanto o brilho da manhã que eu vi chegar
E nessa Saga venho com pedras e brasa
Venho sorrindo, mas sem nunca me esquecer
Que era fácil se perder por entre sonhos
E deixar o coração sangrando até enlouquecer
Saga
*Filipe Catto
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